19 de abr de 2012

Pollyanna

Continuação de Pollyanna ->>
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2º Capítulo- O começo do jogo

Miss Polly estava lendo o jornal e nem se ergueu da poltrona para receber a sobrinha. Ia dizer algo quando a menina correu e lhe deu um abraço.
-Calma,Pollyanna -disse ela, tentando se desvencilhar. -Fique aqui, na minha frente, quero ver você direito.
-Acho que não vai gostar das minhas sardas, nem de meu vestido xadrez - falou a garota. - Mas é o que tenho e estou contente, como papai me ensinou.
-Não quero ouvir falar de seu pai aqui! - disse Miss Polly bruscamente.
A menina se assustou com aquelas palavras rudes. Seus olhos se umedeceram.
-Venha conhecer seu quarto! - Continuou a patroa. E, dirigindo-se a mim, ordenou:
-Nancy, traga a mala dela!
Pollyanna seguiu a tia, cabisbaixa, até o andar de cima. No topo da escada, voltou a se encantar com um quarto atapetado  que viu de passagem, os quadros com molduras douradas, as cortinas de renda.
-A senhora deve ser feliz com tantas riquezas, tia Polly!
-Não diga isso, menina! É pecado ter orgulho de nossos bens. Tudo o que temos foi Deus que nos deu.
Passamos pela estreita escasa que conduzia ao sótão, onde se atulhava todo tipo de bugigangas.
-Este é o seu quarto! - disse Miss Polly, abrindo a porta. - Nancy vai ajudá-la a guardar suas coisas.
E antes de se retirar, completou:
-O jantar é às seis horas em ponto. Não se atrase!
A menina entrou no quartinho. Olhou em silêncio as paredes nuas, as janelas sem cortinas, o chão sem tapete, em contraste com o luxo dos demais cômodos da casa. Abraçou a mala que eu deixara ao pé da cama e, de joelhos, começou a chorar.
-Eu sou má, Nancy - disse ela, soluçando.
-Por isso, Deus levou minha mãe, meu pai, e me trouxe para cá. É o que eu mereço.
Comovida, procurei distraí-la, enquanto tirava da mala suas roupinhas humildes.
De repente, Pollyanna se ergueu e disse que aquele quartinho poderia ficar lindo. Bastava começar o jogo.
-Que jogo? - eu ia perguntar, quando ela parou diante do guarda-roupa e falou:
-Estou feliz por não ter espelho aqui. Assim não vejo minhas sardas.
Depois, bateu palmas e deu um gritinho:
-E para que quadros na parede? - disse, indo até a janela. - É maravilhoso o quadro que vejo daqui: ás árvores, a torre da igreja, o rio lá adiante! Estou feliz por ficar neste quarto!
Meus olhos se enevoaram. Tentei disfarçar, mas Pollyanna notou e veio me abraçar:
-Nancy, este quarto era seu? A titia tirou de você para me dar?

-Não Pollyanna - eu disse, me controlando.
Aliviada, ela voltou a observar a paisagem pela janela. E eu me retirei, às pressas.

Quando o relógio deu seis horas, Miss Polly se acomodou à mesa. Esperou algum tempo, mas Pollyanna não apareceu para o jantar.
-Ela está atrasada - disse, impaciente.
Fiz menção de subir a escada.
-Não, não vá chamá-la, Nancy. Eu avisei o horário. Ela terá de aprender a ser pontual.
Vai comer pão com leite na cozinha.
Quando Miss Polly terminou sua refeição, corri ao quartinho à procura de Pollyanna. Devia estar cansada da viagem e adormecera.
Mas não encontrei lá. Vasculhei a casa toda e nem sinal dela. No jardim, perguntei a Tom se sabia de seu paradeiro.
-Olhe ali! Deve ser ela! - respondeu, apontando para o morro, próximo à mansão.
Corri até lá. A noite caía lentamente e algumas estrelas já brotavam no céu.
-Pollyanna, que susto você me deu! - eu disse - O que está fazendo aqui? Como saiu sem a gente ver?

Contou-me que estava sozinha no quarto, admirando a paisagem e descobrira uma árvore rente à janela.
-Desci por ela até o gramado - explicou, calmamente. - Vi este morro e vim para cá. Do alto, dá para ver melhor as estrelas. Veja como brilham, Nancy!
-Sua tia não vai gostar de saber disso.
-Pois vou contar já para ela.
-Melhor não - eu disse. - Sua tia está zangada com você. Permitiu-me lhe servir apenas pão com leite no jantar.
Tudo bem. Eu adoro pão com leite - disse Pollyanna. - E estou feliz porque poderemos comer juntas.
-Que estranho! - exclamei, lembrando-me do humor dela na estação e no quartinho.
-É por causa do jogo - falou ela.
-Mas que jogo é esse?
- O jogo do contentamento!
-Continuo na mesma...
Pollyanna me contou, então, que pedira ao pai uma boneca no último Natal. Sem poder atendê-la, ele buscou uma doação junto aos fiéis de sua igreja. Quando a caixa de presente chegou e a abriram, só havia um par de muletas para crianças.
-O jogo é um jeito de ver o lado bom das coisas- disse ela. - De encontrar alegria em tudo que acontece com a gente.
-Não vejo alegria nenhuma em achar muletas em vez de boneca.
-No começo, eu também não via, Nancy. Mas papai me ensinou a jogar...
-Então me explique!
-Ora , eu devia me alegrar justamente porque não precisava das muletas! Não é fácil?
-É esquisito.
-Esquisito nada, o jogo é lindo! - disse ela. - Desde aquele dia, não parei mais de jogar. E, se acontece algo ruim, o jogo fica mais divertido. Só foi difícil mesmo jogar quando papai morreu...
- E agora que você foi atirada naquele quartinho horrível...
-É, foi triste - suspirou Pollyanna - Eu me senti abandonada e fiquei lamentando as coisas que não tinha ali: o espelho, os quadros... Mas depois voltei a jogar. É que perdi um pouco de prática. Preciso encontrar um novo parceiro, porque aí é mais fácil dar a virada!
Retornamos à mansão sob a luz das estrelas. Pollyanna comeu pão e bebeu leite avidamente na cozinha.  Sugeri em seguida, que fosse se desculpar com Miss Polly.
Mesmo repreendida pela tia, a menina ainda lhe deu um beijo. E, antes de que eu a levasse para a cama afirmou:

- Tive um dia feliz! Vou adorar viver com a senhora, tia Polly. Boa noite!
-Que garota estranha! - a patroa murmurou. - Está contente até por ser castigada.... Nunca vi isso.
Mas depois de cobrir Pollyanna com o lençol e fechar a porta do sótão, escutei seu choro baixinho:

-Desculpe, papai. Não consigo jogar agora. O silêncio é tanto! Me sinto tão só nesta escuridão...
Desci para cuidar da louça e prometi que aprenderia logo esse jogo para ajudar a coitadinha.

Continua...

Um comentário:

  1. Oi flor, amei o blog haha, eu adoro mangá, até estou comprando aquele negócio de desenhar mangá que tem toda semana na banca? então kkk muito legal, vc compra? e esse cabeçalho ma-ra? amei! sucesso pra você! beijos
    aquieholugar.blogspot.com

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yo nyans :3
Seja bonzinho e não xingue o autor ou o leitor, ok ?

da Vivi-chan -p-