4 de mai de 2012

Pollyanna (3ª capítulo: Primeiro o dever).

A 3ª parte do livro Pollyanna , de Eleanor Porter , cliquem em leia mais para ver ^U^


No dia seguinte, à mesa do café da manhã, Miss Polly ouviu um zumbido de mosca e resmungou:
- Nancy, de onde veio essa mosca?
- Não sei, senhora!
Mas Pollyanna se entregou, dizendo que a mosca entrara quando ela abrira a janela do quartinho.
- Vou mandar colocar tela de arame - disse Miss Polly. - É meu dever. Mas você terá também os seus! Manter a janela fechada é um deles.
E enumerou uma lista de obrigações para a sobrinha:
- Você deve arrumar seu quarto pela manhã. Depois, lerá em voz alta durante meia hora todos os dias, enquanto as aulas na escola não começam. À tarde, aprenderá a tocar piano com um professor que vou arranjar. Quintas e sábados, irá aprender a cozinhar com Nancy. Nos demais, vou ensinar-lhe corte e costura.
- Mas titia... - protestou a menina. - Assim, não terei muito tempo para brincar, para subir no morro...
- Meu dever é dar uma boa educação a você. Cumpra seus deveres e poderá fazer o que bem entender.
 - Acho que não dá para ser feliz com tanto dever! - disse a menina, timidamente.
- A gente devia ficar feliz com o dever cumprido! - rebateu Miss Polly, severa.
Ela comandava tudo na mansão com voz cortante e queria ser prontamente atendida. Pollyanna teria também de seguir as suas regras.
Mas, assim como exigia obediência de todos nós, Miss Polly não descuidava de seus deveres. Quando viu as roupas da sobrinha, disse que não caíam bem a uma pessoa da família Harrington.
Levou-a às principais lojas de Beldingsville e lhe levou uma porção de roupas lindas. Timothy comentou que os comerciantes se encantaram com a garota e festejaram as vendas, admirados com a generosidade de Miss Polly, sempre tão contida em seus gastos.
Pollyanna, quando terminava suas muitas tarefas, saía a passear pela cidade. Às vezes, se entretinha no jardim com Tom, que lhe contava sobre sua mãe. E, frequentemente, ela vinha conversar comigo. A sua condição nos aproximava: eu também perdera meu pai meses antes e, para ajudar a família, empregara-me na mansão dos Harrington. Gostava de lhe falar de minha mãe -, das minhas irmãs tão graciosas, da nossa vida no campo, do lindo pôr do sol que víamos em The Corners. E prometia que um dia, se a patroa permitisse, iríamos juntas lá.
Foi nessas conversas que aprendi com ela o jogo do contentamento. E comecei a pôr em prática esse jeito de ver as coisas, até mesmo na hora de realizar as tarefas árduas que Miss Polly me destinava.
Uma delas era entregar um pote de geleia, toda semana, para Mrs. Snow, uma senhora inválida e casmurra. Num certo dia, querendo me ajudar no serviço, Pollyanna se ofereceu para levar a geleia.
- Quero ensinar o jogo do contentamento para ela, Nancy!
- Não vai ser fácil - eu disse - Nunca vi Mrs. Snow se animar com nada.
Eu a conhecia bem: Vivia de mau humor, num quarto escuro, reclamando de tudo.
A menina foi à casa de Mrs. Snow, em meu lugar, aquela vez, e em todas as outras.
Passadas algumas semanas, encontrei Milly, a filha de Mrs. Snow, e perguntei como estava sua mãe.
-Depois que conheceu Pollyanna, ela virou outra pessoa - respondeu a moça.
- Verdade?
- Está de bem com a vida - continuou Milly. - Adora os penteados que a garota faz. E já até toma sol junto à janela...
Era difícil acreditar. Mas, com seu jogo do contentamento, Pollyanna mudara milagrosamente o astral daquela mulher ranzinza.
-Ah, se tia Polly jogasse também! - disse-me uma tarde, no quintal - Ela vive triste, Nancy. E como faz tanto por mim, é meu dever ensiná-la. Só não sei como.
A menina procurava expressar, sempre que podia, o quantos seus dias eram felizes naquela casa. Mas a patroa, invariavelmente, retrucava:
- É bom que sejam felizes os seus dias, Pollyanna. Mas melhor é que sejam proveitosos. Se não, terei falhado com meus deveres.
As coisas começaram a mudar numa noite abafada de verão.
Vestida de camisola, Miss Polly nos despertou abruptamente, dizendo que ouvira ruídos estranhos:
- Venham, depressa! Tem alguém no telhado!
Timothy foi a frente com uma lanterna, seguido por mim. Grande foi a nossa surpresa ao dar com Pollyanna dormindo no terraço do quarto da patroa.
Prestes a punir a sobrinha, Miss Polly, no entanto, ficou muda com sua explicação. Sufocada pelo calor, Pollyanna saíra do quartinho pela janela, em busca de um lugar mais fresco. Escalara o telhado e se acomodara no chão do terraço.
- Foi a sorte - concluiu a menina, meio sonolenta. - Se estivesse num quarto mais ventilado, eu não poderia ver tantas estrelas. O céu é lindo daqui...
Na manhã seguinte. quando eu preparava o café, Miss Polly me chamou:
- Nancy, mude já as coisas de Pollyanna para o quarto ao lado do meu!
- Sim, senhora - eu disse , disfarçando minha satisfação.
Subi ao sótão e contei a novidade à menina; Alegre, ela saiu correndo, batendo as portas pelo caminho, e foi agradecer à tia.
Desci em seu encalço e ouvi a conversa das duas:
- Você é tão estabanada, Pollyanna. Por que anda batendo as portas pela casa?
-Desculpe tia Polly. Não consegui me controlar de tanta felicidade. A senhora nunca bateu portas?
- Não. E jamais farei isso.
- Que pena!
- Pena, por quê?

- Quando a gente fica louca de alegria dá vontade de bater mil portas - disse Pollyanna. - Fico triste de saber que a senhora nunca bateu uma!
Depois, a menina subiu para apanhar suas roupas no sótão. E Miss Polly, sem dar pela minha presença, sussurrou:
- Estou contente por ter mudado Pollyanna de quarto!
Graças à convivência com a sobrinha, ela parecia se tornar, pouco a pouco, mais humana e compreensiva. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

yo nyans :3
Seja bonzinho e não xingue o autor ou o leitor, ok ?

da Vivi-chan -p-