16 de abr de 2012

Pollyanna

Pra quem não conseguiu o livro , vou ler um pouco dele a cada dia :)

Pollyanna
(Eleanor Porter , Adaptação de João Anzanello Carrascoza , Ilustrações de Orlando)

Capítulo 1 - A menina sardenta
Sou empregada de Miss Polly ,única herdeira da família Harrington, uma das mais ricas dessa cidadezinha de Beldingsville. Lavava os pratos quando ouvi a campainha tocar. Fui atender: Era o carteiro com uma carta para a patroa. Reconheci a letra de Pollyanna e meu coração disparou.
Fechei a porta da sala envolta na penumbra. O prisma pendurado diante da janela balançava ao vento. E, então, recordei-me de outra carta que Miss Polly recebera, um ano antes, e que mudara inteiramente nossas vidas.
Naquela época, eu trabalhava para ela fazia dois meses e ainda não me acostumara com seu gênio. Aos quarenta anos, sozinha no mundo, vivia de mau humor, e eu, por inexperiência diante de seu constante desgosto, não sabia como agradá-la.
Depois de lhe entregar aquela carta, percebi que Miss Polly ficara mais nervosa do que de costume. Tom, o velho jardineiro, e seu filho, Timothy, também se alarmaram com a exagerada agitação dela. Andava pela casa, de lá para cá, sem parar, até que veio à cozinha.
-Nancy, vá limpar o quartinho do sótão- disse-me, secamente.- Tire a poeira e arrume a cama.
-Sim, senhora- respondi.
-Minha sobrinha, Pollyanna, de onze anos, vem morar comigo- prosseguiu. - Ela vai dormir lá!
-Uma garotinha aqui, que bom! - exclamei, lembrando-me das minhas irmãs menores, que viviam longe de mim, no The Corners.
Miss Polly me olhou contrariada. Mesmo assim, repeti que uma criança iria alegrar a casa e fazer bem a ela, tão solitária....
-Não preciso de companhia! - disse-me, irritada.
E, como não tinha com quem partilhar a sua inquietude, Miss Polly acabou por desabafar comigo, lembrando a história de sua família.
Sua irmã mais velha, Jennie, fora cortejada por um homem rico. Mas, contra a vontade de todos, teimara em se casar com um pobre pastor da igreja e fora viver no norte do país. De lá, escrevera algumas vezes. Numa delas, comunicara o nascimento de sua filha, a quem dera o nome de Pollyanna, em homenagem à própria Miss Polly e a outra de suas irmãs, Anna. A mágoa ainda persistia entre os familiares e, quando começaram a cogitar uma reconciliação com Jennie, chegou a notícia de sua morte.
Dez anos se passaram. E eis que, de repente, chegara aquela carta, informando que o pai de Pollyanna também morrera. Como única parente viva, caberia a ela a guarda da órfã.
-Agora tenho de criar o filho dos outros! - resmungou Miss Polly, aflita, prevendo as mudanças que a menina provocaria em sua vida.
Retirou-se da cozinha e eu, obedecendo-a, fui limpar o quartinho do sótão. Também gostaria de poder varrer os maus sentimentos de sua alma. Como podia botar a criança ali, num lugar horrível, sem ventilação, quando havia tantos quartos confortáveis naquele casarão?
Fiz o serviço o melhor que podia e saí para o jardim. Falei com Tom sobre a vinda de Pollyanna; ele se lembrava bem da mãe dela, Jennie.
-Era um anjo- comentou. - A menina deve ser igual a ela.
-Miss Polly vai colocá-la no quartinho do sótão- eu disse, inconformada.- É uma mulher sem coração!
-Você não conhece bem- disse ele- É uma pessoa boa. Teve até um grande amor.
-Não posso acreditar que alguém a amou- eu disse.
-Mas é verdade- disse Tom.- E, depois que romperam o namoro, ela ficou assim. Prendeu os cabelos e se veste como velha. Mas, se Miss Polly se cuidasse, você veria como é linda.
"Talvez por isso ela não queria se apegar à ninguém", pensei.

No dia seguinte, eu estava passando roupas quando Miss Polly me chamou:
-Nancy, vá com Timothy à estação de trem buscar minha sobrinha.
-A senhora não vai? -estranhei.
-Não - ela respondeu. - Não é preciso.
Segui para a estação, pensando em sua frieza imaginando o que seria da pobre menina.

A descrição que tínhamos era de uma garota loura, com vestido xadrez e chapéu de palha. Não foi difícil reconhecê-la. Magra e sardenta, descera de  um vagão e olhava, ansiosamente, para os lados.
-Pollyanna? -chamei, acenando.
Ela veio em minha direção e se atirou em meu pescoço, abraçando-me com carinho.
-Estou tão contente por ter vindo me esperar! -disse, como se já me conhecesse...
Subimos na charrete, onde Timothy nos esperava. Ela começou a falar euforicamente da viagem e a me fazer perguntas. Mostrou com orgulho a mala novinha que ganhara das senhoras de sua igreja.
-Elas me aconselharam a usar esse vestido xadrez -comentou. -Não tinha tecido preto nas doações recebidas. Foi melhor: Não é fácil a gente ficar alegre numa roupa preta.
-Alegre?- eu disse, surpresa .
-Sim- explicou Pollyanna:- Antes de ir para o céu, papai me falou para tentar ser feliz, e me ensinou como. Está difícil: ele se foi, mamãe também, e eu fiquei só. Mas tenho a senhora, Tia Polly. E vou me alegrar!
-Não sou a sua tia Polly- eu disse, sem jeito.-Sou Nancy, a empregada.
A menina se entristeceu. Mas logo anunciou que tinha um motivo para estar contente: já havia me conhecido e ia conhecer a tia.
-Duas valem mais que uma!
-Tem razão.- Eu disse, sorrindo. - Lá está a casa onde você vai viver!
Que linda!- suspirou ela. - Nunca vi gramados e bosques tão bonitos!
Fomos nos aproximando da mansão e Pollyanna me perguntou se lá havia tapetes e quadros, de que tanto gostava, mas nunca tivera na vida.
-Logo você verá -respondi.
E o sombrio quartinho do sótão, reservado a ela, me veio ao pensamento.

Continua...

Nenhum comentário:

Postar um comentário

yo nyans :3
Seja bonzinho e não xingue o autor ou o leitor, ok ?

da Vivi-chan -p-